fechar empresa

Há quem encare a decisão de fechar uma empresa como um fracasso. No entanto, muitas vezes, encerrar um negócio é, além um ato coragem, de sabedoria e que pode render frutos positivos. Quando fechou o Arco, uma ferramenta que permitia às lojas venderem seus produtos pelo Instagram, Diana Assennato passou pelo que classifica como uma “experiência enriquecedora”.

Foto: Reprodução

Diana é formada em jornalismo, estudou cinema em Cuba, mídias digitais em Londres, trabalhou na TV e em revistas. Quando voltou ao Brasil após o mestrado no Reino Unido, decidiu que era hora empreender – uma ideia que já habitava sua cabeça há algum tempo. Em 2012, fundou o Arco junto com três sócias: Luciana Obniski, Camilla Barella e a empresa de tecnologia Jurema.

A ideia do Arco era inovadora: lojas integravam seu sistema ao PayPal. Na legenda da foto postada no Instagram, o vendedor informava o preço e a quantidade de produtos disponíveis no estoque. Para comprar, o cliente deveria simplesmente digitar “comprar” nos comentários da imagem. Isso tudo muito antes do próprio Instagram vender anúncios em sua plataforma.

O Arco chegou a ser premiado como a melhor startup do ano pela Revista Info. Mas por ser uma ferramenta tão inovadora, foi difícil escalar o negócio, isto é, fazê-las crescer. Em 2015, a startup fechou as portas.

É preciso saber a hora de fechar empresa

Por ser um negócio que ainda não existia e não tinha base de comparação, as sócias sabiam que podia ser cedo demais para que a ideia pegasse. Por isso, combinaram desde o que começo que saber o momento de parar era necessário.

O Arco precisava de um mínimo de cadastrados para sobreviver. As sócias achavam que essa meta seria alcançada em um período mais curto. “Tínhamos um dinheirinho contado, não tinha espaço para imprevisto. Não tínhamos ideia se o negócio ia virar. Se não estivesse indo para a frente, deveríamos puxar o freio”, relembra.

Equipe Arco em uma das premiações. Foto: Reprodução

A primeira puxada de freio de mão veio dois anos depois da inauguração do Arco. Diminuíram a quantidade de gente trabalhando na empresa e seguraram o atendimento. Durante seis meses, as sócias foram atrás de investidores-anjo ou fundos de investimento para ajudar a empresa a ganhar mais um fôlego. Como nada virou, decidiram que era a hora de fechar.

Segundo Diana, a primeira puxada de freio de mão é uma alternativa a fechar o negócio por completo. “É frustrante porque você vê seu produto piorando, pessoas reclamando. Mas você mantém a coisa viva. Depois de fechar, é muito mais difícil retomar a empresa”, opina.

Se esforce com propósito, ou pule para a próxima ideia

Fazer um plano de crescimento é essencial para qualquer negócio. No caso do Arco, as sócias tentavam fazer planejamentos que incluíssem os próximos três ou seis meses. A curva de crescimento mostra uma projeção que nem sempre é realista, mas é uma base importante para a empresa e funciona como uma bússola.

Quando as metas ficam muito distantes e difíceis de bater, é hora de começar a se preocupar. Fechar empresa é um processo lento, dá trabalho e custa dinheiro. Por isso, quando não restar solução e você perceber que vai começar a perder grana, prepare-se para iniciar o processo de encerrar o seu negócio. Para fechar o Arco, Diana e as sócias precisaram fazer uma vaquinha para arcar com custos de fechar conta em banco, emitir certificado digital e pagar por outras burocracias.

Ao olhar para trás, Diana reconhece a importância de fazer projeções para o futuro da empresa. “Não é uma projeção com todos os detalhes e variáveis. Mas você precisa ter um horizonte. Quando esse norte não existe, fica mais fácil de desistir. Nos faltou um pouco esse norte”, acredita.

O planejamento é a espinha dorsal dessa projeção para o futuro. Na opinião de Diana as mulheres têm bloqueios para lidar com esse tipo de coisa. Têm medo de ver o extrato bancário e se acham incapazes de administrar as finanças. Muito desse comportamento nasce do próprio mercado de trabalho que ainda é machista e subestima a capacidade feminina. Mas é só uma insegurança das mulheres, todas são capazes de aprender o que for necessário para tocar um negócio.

Para as mulheres empreendedoras, a jornalista tem mais um conselho: saiba quanto dinheiro você precisa para viver e qual o limite do quanto você pode se esforçar. Durante sua jornada, por exemplo, reduziu os custos pessoais para gastar o mínimo possível e fazer o Arco virar.

“Cheguei em um estilo de vida muito barato, transformei meus hábitos para ser assim. A ideia era gastar menos comigo para investir na empresa. Mas é preciso saber o limite, senão você começa a pedalar no vazio”, afirma. “O importante não é só se esforçar. É andar para a frente sabendo o que você está fazendo e qual retorno que isso vai dar. A mulherada sempre acha que não tentou o suficiente, não insistiu o suficiente. Mas você tem que saber até onde insistir, senão perde tempo e dinheiro. Pule para a próxima ideia”, finaliza.