pedir demissão

Você sempre sonhou em abrir um negócio e ser sua própria chefe, mas nunca teve coragem de pedir demissão? Sair de um emprego estável, que garante um salário todo mês, pode dar mesmo um frio na barriga, gerar insegurança e atrasar seus planos de empreender. Mas existem algumas dicas que podem te ajudar a se preparar melhor para se dedicar ao seu negócio com mais confiança.

De acordo com Antônio André Neto, professor e coordenador do MBA em Gestão de Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), antes de qualquer coisa você precisa se certificar de que encontrou a oportunidade certa. “É preciso identificar um nicho de mercado, uma necessidade, algo que as pessoas estão querendo, mas não estão encontrando”, comenta. Além disso, você vai precisar ter uma boa reserva e suar a camisa para conseguir cada vez mais clientes.

Quando se dedicar ao seu negócio

Em linhas gerais, a dica do professor Antônio Paulo é bastante simples. Se você decidir, por exemplo, abrir um salão de beleza em uma rua que tem ao menos uma unidade em cada quarteirão, tem muita chance de se dar mal na empreitada. A concorrência vai ser altíssima, as clientes vão ser divididas e vai ser muito difícil se destacar.

Agora, se você perceber que mora em um bairro com carência de oferta de algum serviço específico, como uma loja de brinquedos infantis, pode sim ter encontrado um bom investimento. “Em alguns casos de sucesso, é a necessidade da própria empreendedora a resposta do que montar”, comenta o professor Antônio. Além disso, será preciso gostar e ter competência para o que escolher fazer. Ou seja, não adianta perceber que falta manicure no seu bairro (ou nas redondezas) e resolver investir nisso se você odeia fazer unha.

Mas como saber se está na hora de pedir demissão?

Planejamento é a palavra-chave da empreendedora que não quer correr riscos — e nem largar o emprego estável por algo muito arriscado. Por isso, coloque tudo no papel. É muito importante ser o mais realista possível em relação aos custos. Para abrir um salão de cabeleireiro, por exemplo, você vai precisar gastar com mobília e equipamentos, além das contas fixas com aluguel, energia, água, folha de pagamento e IPTU.

A dica do professor Antônio André Neto é que você saiba quanto vai precisar por mês para manter o seu negócio e a sua família. Vamos pensar em um valor hipotético. Se você precisar desembolsar R$ 1 mil reais para manter o salão até ele dar lucro e outros R$ 1 para bancar as contas da sua casa, seu custo mensal será de R$ 2 mil. “E uma situação ideal, o mais indicado é que ela tenha uma reserva suficiente para bancar seis meses de contas”, comenta.

Pode parecer muito, mas ter essa poupança ajuda você a empreender com mais tranquilidade, porque é bastante comum os negócios demorarem um pouco para dar lucro.

Mas vamos voltar ao exemplo do salão de beleza. Imagine agora que você já consegue trabalhar nele de sexta e sábado e, eventualmente, durante a semana quando surge uma folga no seu emprego fixo. Por mais que você se sinta tentada a jogar tudo para o alto, pedir demissão e correr para os cabelos e unhas das clientes, espere chegar aquele momento em que você sente que não dá mais conta de tocar as duas coisas. Que está aparecendo clientes demais.

“Chega um momento em que ela percebe que se conseguir se dedicar mais ao salão, vai conseguir ainda mais clientes”, comenta Antonio. Considerando que você já conseguiu montar uma reserva financeira de quatro meses (lembrando que seis meses seria o ideal, mas quatro já é possível), talvez seja a hora de se jogar de cabeça e se dedicar ao seu negócio.

Isso vale também para quem faz docinhos para fora, por exemplo. Se antes você só precisava cozinhar aos finais de semana, mas agora já tem encomendas que te fazem virar a noite e a renda já se iguala à do emprego fixo, pode ter chegado o seu momento de empreender.

Garantindo o sucesso do seu próprio negócio

Para fazer seu negócio dar certo, vai ser preciso suar a camisa, principalmente no começo. Segundo o professor, existe um segredo bastante simples, mas que boa parte dos empreendedores não dá a devida importância: as pessoas precisam saber que o seu negócio existe. “Essa é a primeira missão importante. Distribua folhetos, publique nas redes sociais, conte para todo mundo que você conhece”, comenta. Pequenas degustações em eventos sociais também podem render cliente bons clientes e muitas indicações.

Além disso, seu preço deve ser compatível com o  seu público-alvo. Do contrário, você vai ter um ótimo produto, mas ninguém vai conseguir comprar. “O final desse processo é reter o cliente, ele precisa voltar mais vezes”, alerta o professor. Para isso, a empresária tem que se dedicar, ouvir com atenção, tentar resolver os problemas e deixar todo mundo satisfeito. “Essa é a chave para conseguir sucesso”.