brechó online

Revender roupas usadas é uma atividade que pode dar lucro e ser muito prazerosa. Mas para montar um brechó online ou físico, é preciso muita dedicação e conhecimento sobre moda.

Jaqueline Scissar, dona do Garimpário, conta que viu empreendimentos parecidos fecharem as portas em poucos meses por falta de planejamento. A empreendedora é dona de um brechó online e de uma Kombi itinerante que viaja o Brasil vendendo peças repaginadas.

“Muita gente pensa que é fácil manter um brechó, pois o investimento inicial é baixo. Mas para dar certo tem que ter muito empenho, como qualquer negócio”, afirma.

Jaqueline cursou moda em Florianópolis, Santa Catarina, e sempre gostou de caçar boas peças em brechós. Na companhia de um amigo, decidiu montar um brechó online para vender roupas que não usava mais. “Deu certo no primeiro mês, pegamos roupas de amigos e o negócio foi crescendo”, relembra. “No ano passado participamos de alguns eventos em Florianópolis, mas era preciso carregar muitas peças. Era muito trabalhoso. Então decidi comprar a Kombi”, completa.

O Garimpário

Hoje, Jaqueline tem dois empregos: é servidora pública em Florianópolis e toma conta de brechó. Antes, trabalhava com visual merchandising na Riachuelo: criava estratégias de como apresentar o produto de forma eficiente no ponto de venda, melhorando a experiência de compra do cliente. No entanto, a rotina era puxada e não sobrava tempo para se dedicar o suficiente para a própria empresa. Com o novo emprego, ela tem mais tempo e flexibilidade para tocar seu negócio.

O brechó online existe há cinco anos e atende cliente do país todo. Com a Kombi, Jaqueline viaja pelo Brasil, participa de eventos com o brechó itinerante e aproveita para garimpar roupas pelo caminho. Para a empreendedora, saber onde encontrar as peças é fundamental para qualquer pessoa que deseja trabalhar na área.

Foto: Arquivo Pessoal

“[Encontro as peças] garimpando por todos os lugares. Como o brechó online já tem cinco anos, muita gente já o conhece e entra em contato querendo vender roupas. Isso acontece diariamente, nem conseguimos dar tanta atenção”, explica. “Mas também viajamos bastante para comprar peças. Sempre que vou a um evento, tiro um tempo para garimpar em cidades novas”, completa.

Todas as peças são higienizadas e repaginadas antes da venda. Se há algum defeito, os sócios fazem os reparos necessários. “A gente tenta deixar as peças como se fossem novas. Tiramos cada bolinha de cada suéter, costuramos qualquer defeitinho. Se os botões estiverem diferentes, a gente tira e troca tudo”, conta.

Algumas peças são customizadas ou adaptadas – principalmente no caso de roupas difíceis de encontrar. Por exemplo, se a procura por coletes jeans está grande, os sócios cortam as mangas de jaquetas. A ideia é trazer valor para roupas antigas e fazê-las caber no guarda-roupa atual.

Brechó online e brechó físico

Para Jaqueline, a principal diferença entre o brechó online e o físico é o público-alvo. Quem compra no Garimpário está procurando por peças alternativas, diferenciadas ou vintages. Mas isso é mais visível na loja online. Quem chega até o site está procurando por roupas raras e que têm história por trás.

Já o brechó itinerante oferece peças mais comuns para os clientes que estão de passagem. “Agora no inverno temos casacos pretos, calças de cintura alta. São peças para o público alternativo, mas qualquer pessoa consegue usar”, explica.

O investimento para abrir um brechó online ou físico também é diferente. No caso da loja virtual, é importante investir em boas fotos. As imagens do Garimpário foram produzidas por fotógrafos parceiros dos sócios, utilizando câmeras profissionais e fundo infinito. Mas também é possível fotografar com o que o empreendedor tem à mão, como uma câmera de celular razoável e luz natural.

No caso do Garimpário, o gasto inicial com o brechó online foi R$30 para comprar o fundo infinito. Como os sócios já tinham parceiros para fotografar as peças e equipamentos emprestados, foi possível gastar muito pouco.

Já o brechó físico exige custo maior. Afinal, é preciso investir em transporte, araras e, se for o caso, no espaço. “Para participar de eventos tem o custo da arara, que varia entre R$100 e R$150. Nos primeiros utilizávamos araras suspensas com tubos de ferro que eram pendurados no teto”, conta.

Foto: Arquivo Pessoal

O tamanho do investimento vai depender do quanto o empreendedor tem no bolso. Ele pode começar com pouco, vendendo em casa roupas que já estão disponíveis. Ou pode investir mais para abrir um espaço físico reformado com peças adquiridas em várias cidades.

Dicas para abrir um brechó

Para abrir um brechó, é preciso saber precificar as peças. No caso dos brechós beneficentes, é possível vender as roupas por preços muito baixos, já que todas foram doadas. Mas quando o empreendedor adquire o produto, deve estabelecer o preço de acordo com alguns critérios.

O primeiro critério é o trabalho para reformar a peça. Há brechós que simplesmente revendem roupas usadas sem reformá-las. Nesse caso, deve-se cobrar um preço mais baixo. Mas quando as roupas são melhoradas e os itens são raros, é possível cobrar mais caro.

Para Jaqueline, quando o empreendedor começa a vender em grandes quantidades, não é interessante adquirir apenas peças baratas. O ideal é encontrar um equilíbrio entre roupas mais simples e peças exclusivas. Por fim, no caso do Garimpário, os sócios fazem uma média de todos os produtos para que os preços não fiquem exorbitantes nem muito baratos.

O principal conselho, no entanto, é conhecer bem o nicho no qual vai investir. Para trabalhar com brechó é preciso gostar de moda e ter paciência para garimpar as melhores peças. “A gente entra em vários ‘moquifos’ com baratas andando nas roupas para achar peças especiais e reformá-las. Você passa o dia todo procurando e gasta outros dias reformando. Não adianta encontrar uma peça bonita, é preciso encontrar 200 outras com bom preço”, afirma.

O dono de brechó trabalha em todas as áreas: é vendedor, comprador, precisa conhecer o público, cuidar do financeiro, fazer reparos em roupas, administrar o estoque e pensar na divulgação. Parece simples, mas exige dedicação e empenho. “Tem que gostar, tem que ter paixão. Exige muita divulgação e amor. No início é uma novidade, mas se você não gostar de verdade, vai enjoar muito rápido”, finaliza.