mei 2017

O estado de São Paulo possui mais de 1,7 milhões de microempreendedores, o que representa 26% do total do país. A categoria foi criada em 2008 e possibilitou que trabalhadores informais gerassem um CNPJ e recebessem benefícios. Para entender qual a situação atual desses profissionais, o SEBRAE-SP fez a pesquisa MEI 2017.

O objetivo do estudo é identificar as principais características dos microempreendedores individuais do estado de São Paulo. O SEBRAE entrevistou mais de 1.700 profissionais registrados como MEI neste ano.

A maior parte dos entrevistados (86%) afirmou que está satisfeito ou muito satisfeito em ser MEI. Mas segundo o SEBRAE, os microempreendedores precisam aprimorar sua gestão de negócios para se tornarem empresários mais completos e consolidados.

Quem é o microempreendedor individual em 2017

Motivação

A maioria dos entrevistados empreende porque precisa de uma fonte de renda (79%) ou quer ser independente (81%). Vinte e oito por cento (28%) declarou que o MEI é vantajoso pela chance de se formalizar perante o governo. Além disso, a categoria paga poucos impostos, o que foi considerado uma vantagem por 23% dos participantes.

Apenas 25% dos profissionais partiram para o empreendedorismo porque estavam desempregados e não encontravam trabalho com carteira assinada. Isso indica que o empreendedorismo está deixando de ser uma necessidade para se tornar escolha de carreira.

A maioria dos participantes (46,6%) era funcionário com carteira assinada antes de se tornar MEI. Quase 28% trabalhava como autônomo, 8% era empregado sem carteira assina e 6,7% já era dono de negócio. Estudantes, donas de casa, desempregados e aposentados formam os 10% restantes

Nível de escolaridade

Metade dos microempreendedores tem ensino médico ou técnico completo. Vinte e cinco por cento (25%) tem superior completo e apenas 3,8% fizeram pós-graduação. Por fim, 24,7% não completaram o Ensino Médio ou um curso técnico de mesmo nível.

Faixa de renda

Considerando todas as pessoas dentro do lar, a renda de mais de 50% das famílias dos microempreendedores varia entre R$1.950 e R$6.600. Apenas 12% tem renda média familiar superior a R$6.600.

A pesquisa também mostra quanto os microempreendedores faturaram em 2016. A maior parte dos entrevistados (35%) faturou até R$10 mil no ano, enquanto 11,4% faturou até R$15 mil. A parcela que ganhou mais do R$60 mil no ano é ínfima e não chega a 1%.

Mais de 50% dos entrevistados se dedica ao negócio em tempo integral, enquanto 17,3% investem entre cinco e seis horas diárias na empresa. Uma pequena parcela investe menos de quatro horas por dia.

Foto: Reprodução/SEBRAE

Principais ocupações

Segundo a pesquisa, as cinco principais ocupações dos microempreendedores individuais em 2017 são:

1º – Cabelereira ou esteticista

2º – Pedreiro, eletricista, pintor e profissões relacionadas

3º – Comerciante de vestuário

4º – Alimentação fora do lar

5º – Mecânico, funileiro ou borracheiro

Em seguida, aparecem profissões como donos de mercadinhos e varejões, vendedores de bens de consumo no varejo, organizadores de eventos, artesões, prestadores de serviços de informática, padeiros e assim por diante.

O que falta para o microempreendedor?

Certos dados da pesquisa mostram que o microempreendedor individual ainda tem um longo caminho a percorrer nos quesitos gestão financeira e administrativa e crescimento da empresa.

A maioria esmagadora dos entrevistados não tem conta jurídica no banco. Setenta e dois por cento (72%) têm conta pessoa física e 10,5% sequer têm conta bancária. O restante já abriu a conta jurídica.

Além disso, apenas 35,2% dos entrevistados usam máquina de crédito e débito em seus empreendimentos. Isso significa que a maioria só faz transações em dinheiro, o que reduz a quantidade de clientes e o número de transações.

O número mais chamativo, no entanto, é a quantidade de microempreendedores que não têm funcionários registrados: 96% não têm empregados com carteira assinada. O número de empresas que contratam fora do regime CLT também é bastante baixo: apenas 11,2% tem um funcionário, enquanto 3,5% tem dois funcionários e 2,6% tem três ou mais.

Foto: Reprodução/SEBRAE

A maioria dos entrevistados não vende para o governo, atrasa as parcelas do DAS e desconhece a declaração anual do MEI. Todos esses dados mostram que o microempreendedor precisa avançar muito para se consolidar no mercado – ainda que o cenário apresentado pela pesquisa seja positivo.

Conclusões da pesquisa MEI 2017

Mesmo diante da crise econômica, a maioria dos entrevistados está feliz com a opção pelo micro empreendedorismo individual e recomenda a formalização.

A pesquisa mostra que os segmentos “salão de beleza”, “pedreiros” e “comércio de vestuário” são os que se destacam nas atividades do MEI. No entanto, é possível verificar um conjunto diversificado de atividades. Para o SEBRAE, a figura do MEI ajudou muita gente a encontrar um caminho dentro do empreendedorismo.

O SEBRAE também conclui que o micro empreendedorismo individual ainda é uma novidade e muitos profissionais conciliam a empresa com outras atividades. Mas os resultados são positivos e a instituição aposta que o cenário está se consolidando.

Quase 40% dos entrevistados pretendem fazer o negócio crescer e adotam atitude empreendedora.