mulher trabalhando em obra
O número de mulheres que trabalham em canteiros de obras pelo país tem crescido cada vez mais. Segundo o IBGE, 40% dos chefes de família no Brasil são mulheres. Pensando nisso, o Instituto Construa criou o projeto Mulheres que Constroem para ajudar a qualificar e inserir o público feminino no setor da construção civil. O objetivo é “gerar emprego e renda, construir cidadania e diminuir a desigualdade”, de acordo com o site da iniciativa.
Mulheres que Constroem oferece cursos gratuitos para as interessadas desde 2012. Cobra apenas uma taxa de inscrição, no valor de R$ 150. Homens também são aceitos, porém o valor da taxa é maior. Cada um deles dura, em média, 45 dias e as melhores alunas são encaminhadas para grandes construtoras, que mantêm parceria com o projeto.
Entre os cursos oferecidos estão alvenaria, assentamento de pisos, elétrica predial, gesso e drywall (parede seca), hidráulica e pintura.
Em todos eles, há um modelo de Desenvolvimento Pessoal em que as mulheres entram em contato com temas importantes, como trabalho em equipe, comportamento, gestual, vestimentas, cidadania, segurança do trabalho, meio ambiente e inteligência emocional. Todas matérias muito importantes no serviço que é geralmente feito em equipe.
Todos os cursos oferecem formação teórica e prática, com oficinas que preparam as alunas para atuar tanto em empregos formais, quanto em serviços autônomos. Cerca de 20% das mulheres que já passaram pelo projeto procuraram os cursos para realizar obras em suas próprias residências. Um investimento que vale a pena, afinal quanto não se economiza em uma reforma? Além do que, poder fazer tudo do seu jeito e dar a sua cara ao seu cantinho não tem preço!  
Não é fácil entrar para um mercado de trabalho que, há muitos anos, é dominado por homens. Mas o projeto Mulheres que Constroem, ao lado de muitos outros que agora começam a pipocar por aí, vem provar que tem trabalho para todo mundo, basta não ter preconceito. Pode ser que as mulheres não aguentem levar centenas de tijolos em um único carrinho, mas isso não impede que elas façam um número maior de viagens. Aos poucos, a sociedade patriarcal, na qual o homem se destaca, vai cedendo lugar à igualdade entre os gêneros.
Só no primeiro ano do projeto, 250 mulheres receberam um diploma de formação em um dos cursos do Mulheres que Constroem. Desse total, 30% foram contratadas em empregos formais e outras 20% se tornaram prestadoras de serviços autônomas, que executam trabalhos sob demanda e para si mesmas. Essas mulheres não deixaram de usar batons, esmaltes e apliques no cabelo só porque estão trabalhando em canteiros de obra. Muito pelo contrário: o serviço deixou-as ainda mais confiantes e vaidosas. Muitas chegam a receber o dobro do salário como auxiliar administrativa ou faxineira.
Problemas comuns no universo masculino, como o alcoolismo e o abandono de serviço, são menos recorrentes entre as mulheres. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo, Antonio de Sousa Ramalho, as trabalhadoras mulheres “costumam chegar no horário, são caprichosas no serviço e não abandonam a obra antes de concluí-la”, disse em entrevista ao
site da revista Veja SP