diversidade social

O Brasil é um país multicultural, composto por diversas etnias. Ainda assim, quem ocupa os melhores cargos em empresas do país são homens brancos de classe média ou alta. Se você é empreendedor e pretende contratar funcionários, a diversidade social é uma questão a se considerar, pois traz inúmeros retornos positivos.

A diversidade nas empresas é um assunto que vem ganhando importância em tempos de inclusão, com a sociedade cada vez mais preocupada com os direitos de homossexuais, imigrantes, refugiados, mulheres, pessoas negras e assim por diante. Ao contratar um corpo de funcionários diversos, o empreendedor contribui com a inclusão social de minorias e de grupos fragilizados.

Além disso, aproveita a pluralidade de olhares para dialogar melhor com seus clientes e atender um público que também é diverso. Muitas empresas só investem na diversidade social em suas propagandas, o que é alvo de críticas e pode não atingir o objetivo desejado. Afinal, a equipe que criou o material não se identifica com as mesmas questões e, portanto, não percebe possíveis erros.

Em maio, o Festival Path, em São Paulo, promoveu uma mesa de discussão sobre o tema. A conversa foi conduzida por Ana Bavon, fundadora da Feminaria, Patricia Gorish, professora de direito da família, e Lucas Santana, sócio proprietário da Kumasi, uma rede de suporte para empreendedores afrodescendentes. Os palestrantes defenderam a mesma ideia: mais diversidade nos negócios pode gerar negócios inovadores e melhor comunicação com os clientes.

Importância da inclusão social

Quando se fala em inclusão nas empresas, a primeira ideia que vem à cabeça é a contratação de funcionários que têm algum tipo de deficiência física. No caso das grandes empresas, a própria legislação toma conta disso e estabelece que é obrigatório contratar um percentual de trabalhadores deficientes a partir de um determinado número de funcionários.

Foto: Istock/Getty Image

Incluir mulheres é o segundo passo. Ana Bavon conta que hoje, o número de contratações do sexo feminino é alto, mas poucas chegam a cargos de gerência. Portanto, a regra é que as grandes decisões são tomadas por homens brancos a partir da realidade deles. Quando há mulheres em cargos altos, a perspectiva muda.

Por exemplo, você quer bolar uma propaganda para divulgar sua marca de roupas íntimas no Facebook. Caso a equipe de criação da campanha seja exclusivamente formada por homens, as chances de que o conteúdo seja machista ou ofensivo às mulheres – ainda que de forma sutil – são maiores.

Mas ao colocar ao menos uma mulher na equipe é mais provável que esse tipo de gafe seja evitada. O mesmo vale para a inclusão de pessoas de outras etnias, orientações sexuais e identidades de gênero.

Pluralidade de olhares

Na cidade onde você vive, moradores de diferentes regiões têm práticas diárias diferentes. Quem mora na periferia e vai de ônibus trabalhar tem necessidades diferentes do empresário que só ultrapassa os portões do seu condomínio fechado de carro.

Pessoas de origens diferentes têm necessidades diferentes e, portanto, olham para a inovação do seu próprio jeito. Para quem vive na periferia, um serviço de carona compartilhada por um preço acessível poderia funcionar muito bem. Já para o empresário, um assistente pessoal que integrasse o sistema do seu carro, celular e computador funcionaria melhor.

Segundo afirma Lucas, grande parte dos empreendedores negros começaram a empreender antes dos 18 anos por necessidade. Por falta de vagas decentes no mercado de trabalho, usam a criatividade para fundar novos negócios e ter a possibilidade de futuro melhor.

Lucas também acredita que são as pequenas e médias empresas que mais geram emprego no país. Os pequenos empreendedores têm a chance de empoderar sua comunidade ao oferecer mais vagas de trabalho ou simplesmente inspirar seus semelhantes a empreender também. Para o dono da Kumasi, é fundamental apoiar o desenvolvimento dos negócios locais.

Inclua

Você, empreendedor, já pensou em fazer a sua parte na inclusão social? Para isso, é importante superar seus preconceitos e olhar para as necessidades dos outros. Mulheres que têm filhos, por exemplo, podem incluir em seus negócios outras mães que precisam ganhar dinheiro enquanto criam os pequenos.

Bom exemplo é o negócio social Badu Design, fundado por Ariane Santos, uma das vencedoras do concurso Hora de Brilhar deste ano. Após passar por uma depressão e ficar sem dinheiro, usou R$30 para dar a volta por cima. Ela começou a produzir cadernos artesanais com resíduos e ganhou espaço em Curitiba, no Paraná. Quando o negócio cresceu, passou a capacitar outras mulheres em necessidade para ajudar, como mães de autistas, imigrantes e refugiados. A inclusão social fez sua empresa crescer, ganhar apoio e ser premiada. Gostou do exemplo? Leia a história da Ariane.