pedreiro trabalhando
Ex-presidiários têm de lidar com o preconceito quando deixam a prisão. Muitas vezes, passam anos desempregados por não encontrarem uma única oportunidade, alguém que confie e dê uma segunda chance. Foi daí que surgiu o nome do projeto que tenta orientar e ajudar essas pessoas a se recolocarem no mercado de trabalho, o 
Segunda Chance
. Ele faz parte do Grupo Cultural AfroReggae, do Rio de Janeiro, e funciona como uma agência de empregos para ex-detentos e suas famílias desde 2008. O melhor de tudo: as pessoas que buscam pelo serviço são atendidas por outras pessoas que já passaram por isso, isto é, são egressos (ex-detentos). Atualmente, o Segunda Chance atende a quem os procurar, pois notaram que muitos dos interessados são das famílias dos ex-detentos.
Quando são presos, os documentos dessas pessoas costumam sumir. Em alguns casos, eles nem sequer tiraram. Quando saem de lá e precisam ir atrás disso sofrem com a burocracia aliada ao preconceito. E um simples documento de identidade pode levar meses para sair, o que dificulta também o processo de contratação de uma empresa. O coordenador do Segunda Chance, João Paulo Garcia, explicou que é nesse momento que muitos deles podem sofrer uma recaída e cometer novos crimes ou infrações.
“Ele não tem tempo para se preparar e se qualificar. Enquanto isso, o filho dele está chorando de fome e a porta para a criminalidade está ali, escancarada. Ele vai voltar”, disse em entrevista para o site
Free The Essence
.

Segunda Chance oferece oportunidade de trabalho lícito

A maioria das vagas disponíveis no Segunda Chance são operacionais, como telemarketing e construção civil. Há poucas que exigem diplomas de nível superior. O atendimento do projeto ajuda os ex-detentos na preparação dos currículos e os envia para diversos processos seletivos. A ideia é que ele receba apoio até conseguir se restabelecer no mercado de trabalho. O candidato Rafael Marcos, que dá o seu depoimento no vídeo abaixo, conta que sua filha fez aniversário e ele não pôde dar um presente para ela. “Eu já dei presente antes, mas que não foi adquirido de forma lícita. Hoje eu quero dar a ela e mostrar para ela que tem como se ganhar a vida de uma forma lícita”, diz.
Luis Augusto, dono da empresa
Zoaa Motos
, fala no vídeo acima sobre a importância da reinserção de ex-presidiários na sociedade. “Você começa a socializar essas pessoas e, ao mesmo tempo, proteger a própria sociedade para que essas pessoas não cometam os mesmos erros, dos quais, de repente, estão arrependidas”, afirma. Em um ano de funcionamento do Segunda Chance, 3.099 pessoas foram atendidas, sendo 15% delas contratadas. Cerca de 50 empresas são parceiras do projeto.

Por conta da crise econômica em que o Brasil se encontra está um pouco difícil empregar não apenas egressos, como também as demais pessoas. “Eles estão disputando vagas com pessoas cada vez mais qualificadas. Mas continuamos com a nossa luta”, disse João Paulo. Mais do que empregos, o projeto levanta uma discussão importante na sociedade, que diz respeito à reinserção social e às novas oportunidades a todos aqueles que desejam uma segunda chance.