reparos domesticos

A paulistana Thaís Nobre da Silva, de 24 anos, sempre gostou de fazer pequenos reparos em casa. Queimou um chuveiro ou estragou o interruptor? Lá ia ela, com o pai, aprender o que fazer para consertar. Acompanhando as postagens nas redes sociais, ela  percebeu que muitas meninas procuravam prestadores de serviços para arrumar coisas simples, como uma torneira vazando ou uma resistência que queimou. De olho nesse público, ela criou em fevereiro de 2017, ao lado da amiga Sarah Xavier Leite, o projeto Se vira, Mulher!, que oferece cursos de pequenos reparos domésticos só para mulheres.

“Focamos nessas coisas bem simples de fazer, como trocar uma resistência ou arrumar uma iluminação”, conta Thaís, que está no último ano da faculdade de Engenharia de Controle e Automação.

O Se vira, Mulher! começou com um minicurso, “de mulheres, para mulheres”. O objetivo era ensinar o básico da manutenção em casa, básico esse que apenas os meninos são estimulados a aprender desde pequenos. “A gente queria empoderar mesmo essas mulheres, porque fomos criadas para ficar dependendo do homem para cuidar da casa”, explica Thaís.

O primeiro minicurso foi marcado para um sábado de março, com quatro horas de duração e inscrição a R$ 70 (atualmente, o valor é de R$ 90). No começo, elas ficaram com medo de não ter interessadas, das 30 vagas não serem preenchidas e de o curso não dar certo. Mas para a felicidade e surpresa da dupla, o interesse foi tão grande que elas precisaram abrir uma segunda turma no mesmo fim de semana. “Descobrimos meio que sem querer uma oportunidade de negócio”, comenta Thaís.

Todas as mulheres que participam do curso de capacitação ganham uma apostila, certificado, recebem o material digital e precisam colocar a mão na massa de verdade. Até agosto, elas aprendiam consertos nas áreas de elétrica e hidráulica – como arrumar tomadas e torneiras, trocar interruptor e resistência de chuveiro, entre outras coisas.

A partir de setembro, no entanto, passa a valer um currículo novo. Elas substituíram a parte de hidráulica por outros reparos, como furações (furar a parede para por um quadro, por exemplo), fixação de prateleiras e montagem de móveis.

O segredo de negócio do Se Vira, Mulher!

Thais e Sarah empreenderam da maneira mais certeira possível: criaram um serviço para suprir uma necessidade que estava ali, nas redes sociais, mas que ninguém tinha notado ainda. E como já dominavam tudo o que iam ensinar, bastava só caprichar na divulgação. E elas fizeram isso no mesmo lugar de onde vinha a procura: nas redes sociais.

Foto: Reprodução/Facebook

Hoje, a página do Se vira, Mulher! tem mais de 2.600 curtidas, ganha engajamento com postagens divertidas e muitas promoções. A procura pelas aulas é enorme, inclusive em outras cidades do país. O sucesso foi tamanho que elas já foram convidadas para dar aulas beneficentes em parceria com uma ONG da Grande São Paulo e com um projeto da USP de São Carlos.

Agora, a meta é crescer e expandir o negócio. E isso está sendo planejado em duas frentes. De um lado, vão aumentar a grade de aulas com a criação de um novo curso, agora de mecânica automobilística.

E também já está em fase final os últimos acertos para a primeira aula fora de São Paulo, que está prevista para acontecer no Rio de Janeiro. “Queremos continuar crescendo. Não descartamos a possibilidade de, mais para frente, abrir algumas filiais em outras cidades”, comenta Thaís.