Deb Xavier do jogo de damas sentada sobre uma mesa

A gaúcha Deb Xavier é referência quando o assunto é empreendedorismo feminino. A empresária é idealizadora do Jogo de Damas, iniciativa que inspira e ajuda mulheres a serem protagonistas de suas vidas profissionais. Mas, diferente de alguns profissionais da área, ela não nasceu com o chamado “espírito empreendedor”. Cursou Arquitetura e Urbanismo por 4 anos, depois trocou por Relações Internacionais, trancou a faculdade e foi morar fora por um tempo. Na volta, aos 25 anos, começou a empreender e só agora está terminando o curso na Universidade Federal de Porto Alegre.

“No Brasil, menos de 15% da população tem ensino superior e, no momento, eu faço parte da maioria”, diz ela, que fez vários cursos ao longo dos anos e garante que todos contribuíram, de alguma forma, para a sua carreira. Quase pensou em desistir também de Relações Internacionais, mas alguns convites especiais fizeram com que seguisse esse caminho. “De repente, me vi envolvida com a ONU [Organização das Nações Unidas], com o Itamaraty, onde participei de um curso de Juventude e Política Internacional, a convite da Secretaria Geral da Presidência da República, e com o Fórum Mundial de Direitos Humanos. Todas áreas relacionadas às Relações Internacionais”, conta.

Discutir negócios entre mulheres, ambiente que costuma ser dominado por homens, era o plano inicial de Deb em 2012. A ideia era reunir mensalmente de 7 a 15 mulheres em Porto Alegre para falar sobre o tema. No primeiro evento, a surpresa: quase 90 mulheres aparecem por lá interessadas no debate. “Ali eu percebi que não estava sozinha nas minhas inquietações e que existia um problema a ser resolvido – e uma oportunidade”, relembra.

Do Jogo das Damas ao debate na ONU

No site do Jogo de Damas, você pode encontrar uma série de artigos e matérias que discutem o papel da mulher nas empresas, os preconceitos, processos de trabalho e produtividade, além de dar dicas de cursos e de hábitos simples que você pode adquirir para melhorar a sua qualidade de vida. “O Jogo de Damas é B to C, falamos com as mulheres, com o público final. A ideia é promover iniciativas sem fins lucrativos”, diz Deb.

Além do Jogo de Damas, a empresaria também cuida de outro negócio, a Impacta, que presta consultoria e desenvolve projetos para empresas, governos e instituições com foco no potencial econômico feminino. “A Impacta já é B to B, ou seja, o braço corporativo: vendemos soluções para empresas”, conta. Entre os questionamentos que ela levanta estão: como as empresas podem criar ambientes com mais oportunidades para as mulheres? Como as empresas podem atrair e reter talentos femininos? Como as empresas podem implantar os Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU? “A Impacta parte do princípio que a empresa é parte da solução”, garante.

Deb foi convidada pela ONU para participar dos Princípios de Empoderamento das Mulheres 2016, que oferecem orientação para as empresas sobre como dar poder às mulheres no trabalho, no mercado de trabalho e na comunidade. “Foi discutido o papel da família, da economia do cuidado e ainda o que é necessário avançar enquanto sociedade para chegarmos ao 50/50 no mercado de trabalho, na economia e nos negócios”, conta Deb. Essa medida de 50/50 significa igualdade nas oportunidades: o mesmo espaço dedicado aos homens deve também ser reservado às mulheres.

Mãe adolescente

No meio de todas essas discussões urgentes, houve um primordial: o nascimento de sua filha. Deb engravidou aos 15 anos e foi mãe aos 16. Sentiu as dificuldades comuns a todas as mães adolescentes, mas conta que teve o total apoio do pai da criança e de seus próprios pais. “Eu sou uma exceção, pois continuei estudando, ingressei no ensino superior e o pai da minha filha é presente”, afirma. Hoje, Deb tem 30 anos e com a filha adolescente fica mais fácil se desdobrar para cuidar de seus negócios.

A empresária não acredita que possa se falar de empreendedorismo sem falar do valor a ser investido. Ela acredita que, para conseguir realizar o sonho do próprio negócio, você precisa de planejamento e pés no chão. “Me incomoda essa apologia ao empreendedorismo sem falar de dinheiro, sem falar de sustento, sem falar de capital de giro, sem falar de pró-labore”, diz. “Precisar de dinheiro para começar um negócio, não precisa. Mas essa será uma exceção.”

Se você realmente decidir apostar nessa caminho, Deb aconselha planejar diferentes cenários. “Dê margem para mudanças de rumo, guarde dinheiro, se prepare para imprevistos”, diz ela. “Mas também acredite em você! É importante saber que é impossível planejar tudo e que muito do aprendizado acontece na prática”. Vamos em frente?