Lemni café com pessoas sentadas na parte da frente

Um café no bairro de Pinheiros, em São Paulo, está dando o que falar por causa da sua proposta: em vez de cobrar pelo café e outros quitutes, o espaço cobra um preço fechado de acordo com o tempo que você passar lá. A ideia do Lemni Café veio de um “movimento anti-café” que nasceu em Moscou, na Rússia.

Cansados de gastar dinheiro em cafés em troca de um espaço para trabalho, o empreendedor Ivan Mitin e seus amigos alugaram um sótão, onde começaram reunido a sua turma. Os convidados deixavam o valor que achassem justo e, com o tempo, eles aprimoraram o sistema de cobrança. Hoje, eles administram nove franquias pela cidade e mais de 200 estabelecimentos seguiram seu modelo, como o Lemni.

Além de oferecer um espaço de coworking não-convencional, a ideia é valorizar o comércio local e movimentar os interesses do público e de um bairro. Iniciativas criativas como essa chamam a atenção e podem ganhar clientes instantaneamente, se forem bem administradas.

O tempo pago dá acesso a comidas, bebidas e a toda infraestrutura que o espaço oferece. O valor pode ser calculado por hora ou período e, em breve, o Lemni Café pretende testar formatos mensais. Ao entrar, você recebe uma comanda, que marcará o seu horário de chegada. Na hora de ir embora, eles calculam quanto tempo você passou lá.

Segue a tabela dos preços:

Lemni Café também abriga outros projetos

O sobrado onde funciona o Lemni Café também é sede de outros negócios voltados para a ocupação urbana e ciclomobilidade, como oGangorra. E promove, naturalmente, encontros entre empreendedores da economia criativa, que alimentam essa rede e fortalecem as novas ideias que surgem a partir daí. O Lemni ocupa o térreo e dispõe de mesas coletivas que favorecem os encontros e até mesmo reuniões.

Você também pode levar sua própria comida e usar a cozinha, caso precise. Duas baristas (pessoas que se especializaram no preparo do café) garantem bons expressos, enquanto você pode se servir à vontade de pães, bolos, geleias e chás em uma mesa. Um sistema colaborativo de limpeza deixa o local sempre no trinque.

O Lemni Café é o que podemos chamar de modelo disruptivo de negócio, ou seja, um serviço que cria um novo mercado e desestabiliza os concorrentes que antes o dominavam. Se o modelo disruptivo vai dar certo a longo prazo, só o tempo poderá dizer. Mas enquanto isso, segue fazendo uma nova história e provando que uma nova economia é possível neste mundo.

Ivan Miti, idealizador do primeiro “anti-café” em Moscou, considera esse tipo de negócio um experimento social. Isso significa apresentar uma nova ideia e checar como as pessoas vão reagir a ela, a curto, médio e longo prazo. Com o passar do tempo, acompanhe de perto as críticas e os elogios dos frequentadores para adaptar da melhor forma o seu negócio à sua clientela.