menina com malas no aeroporto
Viajar para estudar e ganhar mais conhecimento parece um sonho distante. Mas fazer intercâmbio é possível mesmo sem boas condições financeiras. O projeto
Bagagem
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Programa de Apoio ao Intercambista Popular
foi criado em janeiro deste ano para ajudar jovens da periferia a fazer intercâmbio e a viver experiências que sejam capazes de transformar suas vidas. Em troca, eles devem compartilhar os conhecimentos adquiridos com a comunidade de onde vieram na volta da viagem.
Podem participar jovens entre 16 e 29 anos que estejam envolvidos em projetos sociais, acadêmicos, artísticos, esportivos, políticos, etc. O Bagagem financia os custos da viagem, com a ajuda de patrocinadores, e quando voltam para a comunidade, eles pagam os custos de duas formas: 50% é devolvido em dinheiro para alimentar o projeto, sem juros e em parcelas. E a outra metade é paga com ações multiplicadoras, isto é, tudo aquilo que ele aprendeu lá fora e tem de dividir por meio de projetos e aulas para outros jovens e adultos de sua comunidade.
A idealizadora do projeto é Jéssica Oliveira, estudante de comunicação social e produtora cultural, moradora de Nova Iguaçu, que fica na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. Ela sempre procurou desenvolver trabalhos em favelas cariocas e notou que seus amigos precisavam fazer vaquinhas para conseguir participar de campeonatos esportivos, cursos de aperfeiçoamento e eventos culturais, conforme contou ao
site Free The Essence
. A partir da pergunta “por que ninguém acredita na gente?”, Jéssica decidiu arregaçar as mangas e colocar suas ideias no papel. Foi assim que o Bagagem nasceu.
O intercâmbio que quer levar jovens da periferia para o mundo todo
O projeto de intercâmbio Bagagem conta com o investimento de empresas e instituições, que possam financiar as viagens desses jovens. Graças à ajuda da
Aliança Empreendedora
, Jéssica conseguiu desenvolver a ideia em um mês, com o apoio de dois amigos. O Bagagem foi selecionada junto a mais 14 iniciativas de inovação com impacto social desenvolvidos apenas por jovens de periferia.
Em maio, ela criou o MVP (produto minimamente viável) do projeto com o lutador de jiu-jitsu Bruno Borges. Ele é do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e participou do campeonato Gramado International Open Jiu-Jitsu. Na volta, Bruno deve dar aulas como voluntário para incentivar novas crianças. “Queremos esse retorno intelectual, que o jovem contribua e divida o que conhece. O nosso sonho é que um dia a criança que aprendeu com o Bruno também peça o nosso apoio”, disse Jessica ao site FTE.
Construir redes e novos contatos, ao mesmo tempo em que se oferece novos horizontes para outros jovens, é o objetivo do projeto de intercâmbio. Encontrar empresas e pessoas interessadas em patrocinar essas viagens é o maior desafio do Bagagem. Por enquanto, as viagens são apenas para jovens do Rio de Janeiro. O segundo passo é abrir convocatórias para candidatos de todo o país e, finalmente, bancar o intercâmbio também para o exterior.