Simone de Beauvoir

Se você é feminista ou procura saber mais sobre o movimento, provavelmente já ouviu falar de Simone de Beauvoir. A escritora francesa é um dos expoentes do feminismo moderno e marcou a história dos estudos de gênero com o livro “O Segundo Sexo”, lançado em 1947.

Simone de Beauvoir nasceu em Paris, na França, em 1908. Filha de um advogado, cresceu cheia de mimos em uma família burguesa. Estudou em conventos e foi criada como uma católica fervorosa com destino certo: se casar ou virar freira. Mas ainda adolescente tinha planos de se tornar escritora. Com o passar dos anos, tornou-se atéia, como é chamada a mulher que não crê em Deus ou nos deuses.

Em 1926, saiu de casa para estudar letras e filosofia na renomada Universidade de Sorbonne, na França, onde teve contato com vários intelectuais da época. Aos 21 anos de idade, conheceu o filósofo e escritor Jean-Paul Sartre, com quem formou uma parceria e viveu um romance para a vida toda.

Não ao casamento

A relação dos dois filósofos foi romântica, mas pouco convencional para a época. Ela recusou um pedido de casamento feito por Sartre e os dois nunca dividiram o mesmo teto.

O relacionamento permitiu que cada um aceitasse trabalhos em diferentes partes da França. Ao longo da década de 1930, Simone de Beauvoir ensinou filosofia e literatura. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi demitida do cargo após o exército alemão ocupar Paris em 1940. Tanto a filósofa quanto Sartre trabalharam para a Resistência Francesa durante a guerra. Junto a isso, de Beauvoir deu início a sua carreira como escritora.

A obra de Simone de Beauvoir

O primeiro grande trabalho publicado pela autora foi “Ela veio para ficar” (1943), no qual usava o triângulo amoroso da vida real vivido com Sartre e uma estudante para examinar questões existencialistas e a complexidade das relações amorosas.

Suas obras tratavam da independência feminina e do papel da mulher na sociedade. Além disso, questionavam os papéis estabelecidos para cada um dos gêneros e a conquista de direitos femininos sociais e políticos.

Foto: Reprodução

“Memórias de uma moça bem comportada” (1958), por exemplo, funcionou como uma espécie de roteiro para mulheres que buscavam se emancipar e se livrar do estereótipo de donas de casa responsáveis apenas pela criação dos filhos.

Já o “Segundo Sexo”, lançado em 1949, é considerado a principal obra de sua carreira. Ao longo de sua existência, Simone escreveu mais de 20 livros.

O Segundo Sexo

O clássico da teoria feminista defende a premissa de que a mulher não é o “segundo sexo” ou o “outro” por razões naturais e imutáveis, e sim por uma série de processos sociais e históricos.

A autora discute sobre o “eterno feminino”, uma espécie de essência  feminina vista pela sociedade como algo intrínseco e comum a todas as mulheres. Essa essência as limitaria a uma série de características que as colocam em posição de inferioridade, enquanto os homens estão em posição de dominância.

O livro é complexo, mas é uma leitura recomendada para todos os que desejam entender mais sobre o feminismo, o papel da mulher na história e como o sexo feminino vem conquistando mais direitos nos últimos anos.

Simone de Beauvoir morreu em 14 de abril 1986, em Paris, sem nunca ter oficializado o casamento com Sartre. A partir do seu legado, milhares de mulheres passaram a ambicionar uma vida independente e autônoma, com sonhos de ter uma profissão e sustento próprio.