Maud Wagner com tatuagens, colar e flor do cabelo

Entre o final do século 19 e início do 20, ter o corpo tatuado era mal visto pela sociedade — era algo que só marinheiros faziam. Mulheres, então, não podiam sonhar em fazer tatuagem sem serem consideradas atrações bizarras, que poderiam ser exibidas dentro de uma jaula de circo. Mas uma desses mulheres fez história e se tornou a primeira tatuadora reconhecida nos Estados Unidos: Maud Wagner.

Maud Wagner 1877 – 1961

Em 1904, mulher não tinha o direito de fazer muitas coisas, nem usar saia curta, votar e andar pela rua desacompanhada quando bem entendesse. Neste mesmo ano, Maud, que era trapezista de circo, conheceu seu futuro marido, Gus Wagner, conhecido como “o homem artisticamente mais marcado na América”. Ele a convidou para sair, ela aceitou e mais tarde os dois se casaram.

Gus foi quem ensinou Maud a tatuar. Ela aprendeu a técnica handpoked, que é o desenho feito de forma totalmente artesanal, no qual o artista cria ponto por ponto sem o auxílio de máquinas. A tatuadora desenhava em seus clientes figuras patrióticas, além de imagens de animais, mulheres, frases e nomes.

O legado: Maud abre caminho para quem quer se tornar tatuadora

Em 1911, Maud já tinha o próprio corpo coberto por tatuagens e uma lista enorme de clientes fiéis. Quebrou paradigmas e lutou contra o preconceito para exercer a profissão pela qual era apaixonada. Seu talento e ousadia abriram portas para que outras tatuadoras fossem reconhecidas como verdadeiras profissionais e artistas.

Maud também deixou outro legado: sua filha Lovetta Wagner, que começou a tatuar aos nove anos de idade. A menina se tornou uma tatuadora de sucesso, mas ostentava uma diferença em relação às demais: não tinha uma tatuagem sequer em seu corpo. Isso aconteceu porque seu pai morreu sem ter a chance de tatuá-la. Decidiu, então, que se seu pai não teria a chance de tatuar seu corpo, ninguém mais teria. A mãe, Maud, faleceu em 30 de janeiro de 1961, época em que o preconceito contra tatuagem ainda era grande.

Mulheres se tornam mais presentes no mundo da tatuagem

A presença das mulheres no mundo da tatuagem cresceu junto com o feminismo nas últimas décadas. O ano de 2012 foi o ano em que mais mulheres do que homens foram tatuadas nos Estados Unidos. O jornal britânico The Guardian até publicou uma matéria falando sobre o crescimento no número de tatuadoras profissionais.

“Tatuadoras são definitivamente mais procuradas agora do que quando eu comecei a tatuar há 16 anos”, conta a britânica Saira Hunjan. Quando tinha 14 anos, ligou para inúmeros tatuadores homens procurando por experiência profissional. Todos se espantaram com o fato de ser uma garota do outro lado da linha. Apenas um deles concordou em treiná-la.

Na última década, o número de tatuadoras na Grã Bretanha quase dobrou, e a profissão se mostra agora bastante lucrativa para quem se interessa por ela.

Nos Estados Unidos — e no resto do mundo — não é diferente. A tatuadora Kat Von D, por exemplo, foi protagonista do antigo programa de TV estadunidense LA Ink. Ela é uma das tatuadoras mais famosas do mundo e conseguiu combinar sua arte com negócios, expandindo sua marca para roupas e cosméticos.