Marie Van Brittan Brown

Marie Van Brittan Brown não se sentia segura no bairro onde vivia em Nova York, na década de 1960. Ao invés de ficar esperando, ela decidiu assumir as rédeas da situação e criar seu próprio sistema de segurança e monitoramento residencial.

Marie nasceu em 1992 no Queens, um dos cinco distritos de Nova York. Como se tornou enfermeira, não tinha uma jornada regular de trabalho. Assumia turnos em diferentes horários e às vezes passava a noite toda fora de casa. Seu marido, Albert Brown, era técnico em eletrônica e também passava longos períodos ausente.

A taxa de criminalidade na vizinhança não parava de subir e Marie se preocupava em deixar a casa vazia. Além disso, a polícia não era confiável e demorava muito para tomar atitudes quando havia algum crime no bairro.

Em 1966, ela e o marido começaram a trabalhar em um sistema de segurança residencial. A primeira questão que incomodava a enfermeira era ter que atender a porta sem saber quem estava batendo. Então o casal desenvolveu uma câmera que seria instalada na frente da casa e se moveria para cima e para baixo, filmando tanto pessoas altas quanto mais baixas.

Uma televisão foi colocada no quarto de Marie para servir como monitor. As imagens capturadas pela câmera eram transmitidas para o monitor pelo sistema sem fio de um rádio. Além disso, um sistema de microfones permitia que quem estava dentro de casa se comunicasse com quem estava do lado de fora.

Se o casal ficasse preocupado ou assustado com a pessoa que estava na porta, acionava um botão que transmitia um alarme para uma empresa de segurança, um guarda de rua ou vizinho.

Hoje, instalar sistemas de segurança em residências privadas e estabelecimentos comerciais é absolutamente normal. Mas a invenção de Marie e seu marido foi revolucionária para a época.

O sucesso de Marie Van Brittan Brown

O sistema de segurança foi patenteado em 1969. O registro dizia: “Um sistema de segurança de vídeo e áudio para o lar sob o controle do seu morador. O morador pode ver quem está na porta e conversar com ela”.

Foto: Reprodução

A invenção de Brown não tinha fins comerciais, mas inspirou diversos sistemas de segurança utilizados hoje. Segundo o site Timeline, mais de 12 cientistas e engenheiros a citaram em seus próprios sistemas. A inventora chegou a receber um prêmio do National Scientists Committee (Comitê Nacional de Cientistas). A patente também deu origem aos sistemas de segurança usados em locais públicos e em reality shows, como o famoso Big Brother.

Em 1969, Marie foi tema de uma reportagem do jornal americano The New York Times. Ela afirmou que seu sistema de segurança permitia que “uma mulher sozinha em casa acionasse o alarme imediatamente, pressionando um botão. Se fosse instalado em um consultório médico, poderia prevenir o roubo de remédios por usuários de drogas”.

Não se sabe o quanto a inventora lucrou com sua invenção. Marie era negra e não era rica, o que significa que seu acesso ao mundo empresarial era extremamente restrito, já que os executivos eram todos homens e, na sua maioria, branca. Mas sua ideia estabeleceu as bases para a segurança residencial e deu origem a um mercado extremamente rentável até hoje.