Anita Roddick

Filha de imigrantes italianos, a empresária britânica Anita Roddick é a mulher responsável pela criação da marca de cosméticos naturais The Body Shop. Assim como toda empreendedora que começa por baixo, Anita não tinha muito dinheiro para investir quando abriu sua primeira unidade em 1976.

Ela estava sozinha, sem o marido e com duas filhas para criar. Depois de bater muita perna, acabou conseguindo achar um local em Brighton, na Inglaterra, para começar a vender os produtos de beleza que criava.

O sucesso chegou rápido e, em pouco tempo, ela começou a crescer e a abrir franquias pelo país e no exterior. Em menos de duas décadas, Anita se tornou a quarta mulher mais rica da Inglaterra, escreveu uma autobiografia e ficou conhecida por seu ativismo à favor das causas ambientais. Foi uma peça-chave na apresentação dos conceitos de consumo ético e sustentável ao empresariado da sua época. Também participou de campanhas em prol de instituições de assistência e de defesa do meio ambiente, como o Greenpeace.

Como Anita Roddick criou a Body Shop

Nascida Anita Perella em 1942, a empresária casou-se em 1970 com Gordon Roddick. Seis anos mais tarde, o marido resolveu ficar dois anos viajando de Buenos Aires, na Argentina, a Nova York, nos Estados Unidos, a cavalo. Sozinha e com duas filhas para criar, Anita precisava trabalhar e resolveu abrir uma loja de cosméticos naturais.

Reuniu 25 receitas que aprendeu em suas andanças pelo mundo e inaugurou a primeira unidade em 1976. As paredes da primeira loja foram pintadas de verde escuro não porque essa era a cor que ela queria para a marca, mas porque o tom era forte o suficiente para esconder as manchas de umidade da parede. Além disso, evitava ao máximo usar qualquer tipo de embalagem. Para estimular as clientes a reutilizarem os potes de xampu e hidratantes, oferecia descontos para quem as trouxessem de volta para encher com um refil.

O sucesso da The Body Shop

Parte do enorme sucesso da The Body Shop está na sua característica inovadora: uma linha com 25 itens produzidos apenas com ingredientes 100% naturais e sem realizar testes em animais. E isso não aconteceu ao acaso, a britânica sabia o que estava fazendo.

Todo seu plano de negócios foi estruturado para responder uma necessidade que surgia junto de uma geração de mulheres mais preocupadas em reduzir o consumo de produtos químicos. Elas buscavam (sem encontrar no mercado) cosméticos mais ligados à Natureza.

A empresaria fazia questão de ser muito franca em relação aos propósitos de sua empresa: nada do que ela vendia poderia esconder o envelhecimento ou mesmo simular a beleza em uma pessoa. Ela acreditava, no entanto, que era sim possível ajudar a mulher a curtir um momento sensual e divertido usando cosméticos de qualidade.

“Nunca acreditei que os produtos de beleza são o corpo e sangue de Jesus Cristo. Nada do que a The Body Shop vende tem intenção de fazer algo diferente do que se propõe. Hidratantes hidratam, refrescantes refrescam e o que é para limpar, limpa. Ponto final”, dizia com frequência.

 The Body Shop e o selo verde

Em 2006, a The Body Shop foi vendida para gigante L’Oreal.  À época houve um grande mal-estar entre as clientes e ambientalistas, que acusaram Anita de traição e passaram a exigir que a L’Oreal também banisse os testes em animais. Em resposta às críticas, ela dizia apenas que acreditava que ela conseguiria persuadir a multinacional francesa a adotar os mesmos tipos de ingredientes.

Em junho deste ano, a empresa criada por Anita foi comprada pela Natura por 880 milhões de libras. Atualmente, a The Body Shop comercializa mais de mil produtos e conta com três mil franquias espalhadas por 66 países.

Anita faleceu em setembro de 2007 de hemorragia cerebral aguda, mas deixou registrada sua marca como uma das executivas britânicas mais proeminentes de sua época. Foi pioneira na defesa de um consumo mais ético e sustentável e trabalhou em prol de causas variadas, como preservação de florestas, alívio da dívida de países em desenvolvimento, preservação de baleias, direito ao voto e anti-sexismo.