Anita Garibaldi

Anita Garibaldi foi uma brasileira admirada por sua bravura e por quebrar padrões de gênero. Conhecida como “a heroína de dois mundos”, a revolucionária fez história na Guerra dos Farrapos e participou de outros combates pelo mundo durante o século 19.

Anita nasceu Ana Maria de Jesus Ribeiro em Laguna (SC), no dia 30 de agosto de 1821. Além da coragem, sua história é marcada por uma curiosidade que atesta a importância da revolucionária: há quem diga que Anita, na verdade, nasceu em Lages, uma outra cidade catarinense, mas em 1988, o município de Laguna moveu uma ação judicial para obter o registro de nascimento tardio da revolucionária e conseguiu. Desde então, é oficialmente Laguna.

Filha de Bento da Silva e Maria Antônia de Jesus Antunes, cresceu em uma família pobre que se preocupou em educá-la da melhor forma possível. Aos 14 anos, casou por obrigação com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar.

Neste mesmo ano, 1835, o Rio Grande do Sul entrou em guerra contra o Brasil, reivindicando mais autonomia para as províncias, melhores condições econômicas e a abolição da escravatura. Santa Catarina acabou unindo forças e a guerra logo se tornou separatista.

Quando os soldados se dirigiram para Laguna, Anita conheceu Giuseppe Garibaldi, um revolucionário italiano que aportou na baía da cidade catarinense em 1839. Os dois se apaixonaram e a adolescente decidiu se juntar à revolução.

Anita Garibaldi e a Revolução Farroupilha

Aos 18 anos, Anita abandonou o marido e fugiu com Giuseppe em um navio que seguia para Cananéia. Logo depois, fez sua estreia como guerreira e ficou conhecida por atos de extrema coragem. Um deles ocorreu na batalha naval contra Frederico Mariath, quando atravessou o local inúmeras vezes para abastecer os soldados com munição.

Em 1840, foi feita prisioneira após participar da Batalha de Curitibanos. Por sorte e astúcia, conseguiu distrair os soldados e fugir. Reencontrou o marido no Rio Grande do Sul, já grávida do primeiro filho.

Menotti Garibaldi nasceu em Mostardas (RS) no dia 16 de setembro de 1840. Anitta chegou a fugir a cavalo com o bebê recém-nascido enquanto o exército imperial tentava prender o casal. Ficou escondida por quatro dias até reencontrar novamente o marido.

Saída do Brasil e morte precoce

No ano seguinte, a situação no Brasil estava se tornando insustentável. Para proteger a família, Garibaldi pediu a Bento Gonçalves, líder da Revolução Farroupilha, para deixar a guerra.

O casal se mudou para o Uruguai, onde oficializou a união em Montevidéo no ano de 1842. No país, Anita e Giuseppe tiveram três outros filhos: Rosa, Teresa e Ricotti. Infelizmente, Rosa faleceu aos dois anos por um infecção na garganta, o que abalou muito o casal.

A próxima aventura dos revolucionários aconteceu na Europa. Giuseppe enviou Anita à Itália para preparar o terreno em uma guerra contra a Áustria. Após a chegada do marido, os dois seguiram para Roma, onde declararam a República Romana. A cidade foi atacada por franco-austríacos e a guerreira foi obrigada a lutar grávida de seu quinto filho. Logo depois, sofreu um aborto.

O casal passou a ser perseguido dentro da Itália. Diante de tantas dificuldades, Anita contraiu febre tifoide e morreu jovem, prestes a completar 28 anos, em 4 de agosto de 1849. O motivo de sua morte é contraditório: rumores apontam para malária e até leucemia.

Anita Garibaldi é um personagem marcante da história do Brasil e foi especialmente homenageada por um município catarinense que leva seu nome.