pintura de Ada Lovelace

O mundo da computação parece ser dominado pelos homens. Máquinas, engenheiros, programadores, técnicos… parece que não sobra espaço para as mulheres na computação. De fato, hoje são pouquíssimas trabalhando na área, que é bem conhecida por ser um universo machista, repleto de histórias de assédio com uma grande desigualdade salarial entre homens e mulheres nos mesmos cargos.
Mas e se a gente te contasse que a primeira programadora da história foi uma mulher, quase 200 anos atrás? Isso mesmo: Augusta Ada Lovelace nasceu na Inglaterra, em 1815, morreu aos 38 anos pobre e doente e deixou um legado que só foi ser entendido com clareza um século depois de sua morte.

A verdade é que se você está lendo este artigo em um computador, mandando mensagem no WhatsApp e jogando Pokemon GO ao mesmo tempo, agradeça esta mulher genial chamada Ada Lovelace, considerada “a mãe da computação”.

História de família

Ada nasceu em berço de ouro, em uma família nobre da Inglaterra. Filha de Lord Byron, um poeta romântico boêmio muito famoso, muito genial e de gênio bastante difícil, Ada cresceu sob os olhares vigilantes da mãe, que não queria que a moça virasse artista como o pai e seguisse o destino incerto do seu marido.

Muito cedo Ada começou a estudar aritmética, música e francês, numa tentativa frustrada da mãe de abafar a imaginação e criatividade de Ada. Ela se mostrou muito boa em matemática desde cedo, mas aos12 anos Ada queria voar. Começou a estudar as possibilidades com uma abordagem quase científica, mas ao mesmo tempo poética. O lado artístico que sua mãe sempre quis reprimir acabou se tornando o método científico dessa mulher que mudou a história olhando para a ciência a partir da beleza da invenção e da intuição

A primeira das mulheres na computação

Ada era apenas uma adolescente quando conheceu Charles Babbage em um jantar com sua mãe, um cientista em seus quarenta e poucos muito seguro de si e respeitado no seu meio. Charles estava construindo uma máquina de calcular (na época não existia nada perto das calculadoras modernas!) a prova de erros, e Ada se interessou pela máquina. Não demorou para que Charles percebesse que aquela moça de pele de porcelana e sobrenome famoso sabia muito mais de matemática que todos os marmanjos da sala.

Charles ficou impressionado e pediu para que Ada desse uma olhada nas suas anotações a respeito da máquina, como uma espécie de revisora. Ada levou o pedido à sério. Não só revisou o material que ele tinha criado até então, como escreveu uma pilha de anotações sobre outras coisas que aquela máquina podia fazer e que Charles ainda não tinha percebido.

De forma resumida, o que Ada notou é que se ele trocasse os números que ele queria calcular por outros elementos (como letras, símbolos, códigos) ele poderia programar e re-programar a máquina para fazer o que ele quisesse. De forma simples: essa é a ideia principal da computação até hoje.

As anotações de Ada só foram ser totalmente entendidas quase 100 anos depois de sua morte, e a genial cientista poética viveu e morreu sem sequer imaginar que mudaria a história do mundo.

Um olhar para o desconhecido

Há quem diga que por Ada ter uma conexão com as artes através do sangue do seu pai, ela foi capaz de conectar ideias tão distantes e fazer algo revolucionário. A primeira das mulheres na computação deu liberdade para que sua imaginação fosse além e criasse soluções nunca pensadas.

Às vezes uma dose de loucura, de imaginação e de intuição são importantes para criar algo realmente inovador. É sempre bom ter a cabeça aberta para o desconhecido.