bolo com desenho de 1 ano de casados ao lado de refrigerantes e doces
Sou Maria Santos, moro na vila Guacuri em São Paulo, tenho 41 anos e sou dona da minha própria empresa, a Maria Bolos. Faço bolos desde os 12 anos, aprendi com o meu irmão que era confeiteiro e me deixava lavar os utensílios quando ele fazia doces em casa. Eu me achava o máximo fazendo aquilo! Foi assim que tomei gosto pela coisa. Mas só fazia bolo para família, não achava que tinha muito valor, nem que eram muito bons.

Maria Santos Foto: Arquivo Pessoal

Um dia cheguei do trabalho e o meu marido disse que tinha feito um perfil no Facebook para mim. Eu olhei para ele e disse: ‘pirou, eu já tenho um!’. Ao que ele respondeu: ‘um perfil para o seus bolos, né?’. Eu ri muito, dizendo para ele que ninguém ia querer meus doces, e ele insistindo: ‘ah, vão querer sim, seus bolos são bonitos e gostosos, você tem que acreditar em você’. No dia em que ele postou a primeira foto recebi duas encomendas — fora as curtidas.
Já fui camareira, supervisora de andares e sempre quis trabalhar em restaurante. Consegui mudar de área no hotel onde estava na época, fui para cozinha aprender a fazer
coffee breaks
, eventos, daí consegui uma oportunidade de trabalhar em um restaurante no shopping. Assim pude me formar como técnica de Nutrição, trabalhando à noite e estudando de manhã. Muito corrido, mas eu gostava demais. Depois disso, fui promovida a gerente de restaurante e trabalhei lá até há um pouco mais de um ano.
Estava no restaurante onde eu era gerente e o dono me chamou para dizer que eu tinha que fazer uma escolha: ou mandava alguém da equipe embora ou ele precisaria me mandar embora, porque não iria conseguir pagar. Como a pessoa que ele sugeriu que eu mandasse embora estava passando por um problema na família, disse para ele me mandar embora. Pensei assim: meu marido e minha filha trabalham, posso me virar fazendo meus bolos, talvez seja a melhor maneira de resolver isso, porque ela precisa mais desse emprego do que eu. Fui mandada embora e resolvi montar o meu negócio. Era hora de empreender.
Quando meu marido montou a página no Facebook para mim, eu ainda trabalhava e fazia as encomendas depois do expediente, na cozinha da minha casa. Com a demissão, sonhei mais alto: arrumei uma sócia, uma amiga que eu conhecia há 14 anos, investimos em um ponto, montamos uma loja de bolos e começamos a trabalhar. Não deu certo. Não sei explicar muito o que aconteceu, sei que eu ficava na cozinha e ela era responsável por cuidar das outras coisas. Um belo dia, eu cheguei na loja e tudo tinha sido levado embora. Balcão, geladeira, utensílio, tudo tinha sumido. Foi assim que a sociedade acabou. Bom, acontece, né?

Foto: Arquivo Pessoal

Entreguei o ponto, não tinha condição de pagar esse aluguel sozinha. Dei um passo para frente, mas tive que voltar atrás. E lá estava eu de volta para a minha cozinha, para as minhas encomendas em casa. Hoje faço meus bolos, meus doces, cupcakes, salgados, tudo em casa, mas ainda sonho em ter a minha loja de novo. Não desisti não, sei que uma hora vai dar certo. Acho que isso é o mais importante: não desistir, porque um dia dá certo. E a vida segue.
Consigo tirar uma renda do negócio, ajudo a pagar as contas em casa e sei que estou fazendo uma coisa que me deixa muito feliz. Sempre incentivo as pessoas a não desistirem dos sonhos, mesmo que em algum momento a vida tenha tomado outro rumo. Quando a gente quer muito, junta o aprendizado com a vontade e voa alto. Estou fazendo isso nesse momento, e isso é o que há de melhor nessa história.

*Em depoimento a Marina Malta.