Camila Florentino
Meu nome é Camila Florentino, tenho 27 anos e sou fundadora da startup
Celebrar.co. 
Comecei a trabalhar com eventos aos 15 anos e me apaixonei por este mercado. Me formei em Lazer e Turismo na USP (Universidade de São Paulo) e produzi diversos tipos de eventos, desde festas infantis até casamentos, além de eventos de grande porte como Tomorrowland e Lollapalooza.
O meu trabalho de conclusão de curso na faculdade foi um estudo de viabilidade que tinha muita cara de plano de negócios. Nele, eu precisaria de R$ 250 mil para tirar minha ideia do papel. Em 2014, com 24 anos, trabalhei muito e juntei cada centavo. Mas cheguei longe da meta: consegui juntar R$ 10 mil. Com esse dinheiro, resolvi fazer virar, pois não teria como juntar R$ 250 mil. Afinal, eu trabalhava com eventos e precisava pagar as contas.

Patricia, Camila e Monna

A grande sacada de ter conseguido fundar a empresa com R$ 10 mil é que percebi que o principal capital não é o monetário, é o intelectual. Então convidei minhas duas sócias: A Monna Cleide Santos e a Patricia Cella Portes. A Monna é desenvolvedora e ocupou o cargo de CTO. Já a Patricia faz a parte de atendimento com clientes e é a COO. Eu cuido da parte mais técnica dos eventos. Elas abraçaram o meu sonho e eu dei uma parte da minha empresa em troca.
Aos 25 anos, fundei a Celebrar com o objetivo de melhorar as relações do mercado de eventos através de tecnologias colaborativas. Somos um marketplace que conecta fornecedores de serviços para eventos aos organizadores, agilizando e reduzindo custos no processo de contratações de serviços.
O que me encantou desde cedo no setor de eventos é a transformação positiva que é possível realizar a partir da composição de diferentes profissionais especializados. Eles trabalham simultaneamente em atividades distintas com um objetivo comum: a entrega da experiência proposta pelo evento.
Só assim é possível transformar um autódromo em um festival de música internacional ou um galpão vazio em uma festa de gala. A mágica só é possível à partir da composição ampla e multidisciplinar. Ninguém faz um evento sozinho. Por exemplo, o fornecedor de alimentação não fornece seguranças, ou um fornecedor de limpeza não cuida das atrações.
Ao estudar o mercado, percebi que 94% dos mais de 60 mil CNPJs de fornecedores de serviços para eventos são micro ou pequenas empresas. Por isso, criavam-se tantos intermediários na cadeia tradicional e era tão difícil encontrá-los.
No primeiro semestre deste ano, eu e as sócias ainda recebíamos R$ 100 por semana como ajuda de custo. Só assim os R$ 10 mil duraram tanto. Sempre funcionamos de maneira muito enxuta. Para quem precisa tirar suas ideias do papel, recomendo o livro “Lean Startup” (“A Startup Enxuta”).
Hoje, todas nós estamos recebendo um salário e a empresa está crescendo 35% ao mês. Isso é muito para uma equipe de cinco pessoas: três sócias, uma estagiária e uma funcionária, que se tornará sócia com o tempo. Nosso maior desafio é crescer de forma saudável e conseguir estruturar o time, contratar novas pessoas e achar novos talentos. Queremos manter o crescimento, aumentar a equipe e investir em tecnologia.
Fundar a Celebrar, para mim, é uma missão mais social do que, de fato, empresarial. Meu propósito é reunir uma rede de micro e pequenos empreendedores e ajudá-los a crescer de forma colaborativa e sustentável. Parto da crença de que toda pessoa é capaz de organizar um evento utilizando uma ferramenta inteligente que os conecta nesta rede de fornecedores. Meu propósito é diminuir e distância entre a intenção e a ação de celebrar a vida, porque acreditamos que momentos devem ser celebrados.

*Em depoimento a Camila Luz